sábado, 30 de maio de 2009

Nota do DCE-UERJ sobre a suspensão judicial do sistema de cotas

As cotas não são discriminatórias, mas sim um instrumento de democratização do ensino superior

No início de 2009, o deputado Flávio Bolsonaro (PP) ajuizou uma ação na justiça do Rio de Janeiro requisitando o fim do sistema de cotas nas universidades estaduais. Os principais argumentos são: o sistema é discriminatório e não cumpre seus objetivos. Mesmo o processo estando correndo desde Janeiro, a Universidade, representantes do movimento estudantil e pesquisadores sobre o tema não foram chamados a emitir uma opinião. Essa discussão passou longe da comunidade acadêmica da UERJ. Uma análise meramente jurídica sobre a questão certamente não conseguirá dar conta da complexidade do tema.

Esta questão estava no supremo, mas com o surgimento da nova lei de 2008 a ação - que se referia a lei anterior - foi arquivada. Aproveitando-se disso, o deputado entrou com uma ação de representação de inconstitucionalidade no tribunal do Rio de Janeiro (sabidamente mais conservador que o STF) com o argumento de que a nova lei contraria artigo da constituição do estado, mas tal artigo também está na constituição federal (questão da igualdade). Lembrando que é o STF quem certamente dará a última palavra sobre o assunto, já que a questão se refere a dispositivos da constituição federal e o tema tem repercussão nacional.

A concessão da liminar - que suspende provisoriamente o sistema de cotas - é completamente descabida, pois para isso é necessário que haja um mínimo de plausibilidade na pretensão do autor (ou seja, provas que demonstrem indícios de que o sistema é discriminatório e que não atinge seus objetivos). Só que tal prova é extremamente difícil de se fazer, já que os objetivos são difusos (“redução de desigualdades étnicas, sociais e econômicas”). Resta claro que o julgamento foi muito mais político do que técnico!!

O alcance dos objetivos da lei só poderiam ser avaliados mediante um estudo sério sobre o assunto, o qual está sendo realizado neste momento. O ideal seria que não houvesse liminar neste caso, já que os prejuízos da suspensão do sistema (exclusão de gerações inteiras do ensino superior) podem ser maiores do que os ganhos.

Acreditamos que o sistema de cotas é um acerto, uma vez que democratiza o acesso, torna a universidade mais plural, de modo que esta possa produzir conhecimento social e etnicamente referenciado. É um importante passo para a inclusão e a transformação social, e, fundamentalmente, para a retomada do caráter público da universidade. A lei não é discriminatória, mas sim inclusiva, já que a igualdade não é só tratar todos da mesma forma, mas sim tratar os diferentes de forma diferenciada para que possam se igualar.

A ação diz que o fim do sistema de cotas é o desejo dos estudantes. Porém, o DCE (diretório central dos estudantes da UERJ) afirma que o deputado não fala em nosso nome. Não é de se espantar que o Deputado entenda tão pouco sobre direitos fundamentais, já que defende abertamente a pena de morte e ditadura militar. Eis o que diz o seu perfil na internet: “(...) o marginal só respeita o que teme, por isso a polícia fluminense deve ter a liberdade total de agir para tirar do convívio da sociedade essa parcela de pessoas (...)”. Claramente seu compromisso não é com direitos, mas sim com a supressão dos mesmos.

Por isso, convocamos o Deputado Flávio Bolsonaro para que venha debater com a comunidade acadêmica da UERJ a sua posição sobre as cotas. O ideal é que quem quer legislar sobre a UERJ conheça minimamente a universidade e não fique escondido nas togas do poder judiciário.

Debate Funk é Cultura - vídeos 5 e 6

Seguem os dois últimos vídeos do debate:

Vídeo 5



Vídeo 6

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Debate "Funk é Cultura" - Vídeos 3 e 4

Galera, seguem os vídeos 3 e 4 do debate "Funk é Cultura". São 6 partes, e estão quase todas no ar, exceto pela parte 5, que o youtube rejeitou porque o vídeo era muito longo. Resolveremos rapidamente esse pequeno problema técnico e colocaremos tudo certinho!


Video 3



Video 4

sábado, 23 de maio de 2009

Vídeos do debate "Funk é cultura"

Demorou, mas chegou! Os vídeos do debate estão sendo colocados de pouco em pouco no youtube. Como era muita coisa, eu dei o upload dos 20 primeiros minutos, e até amanhã vou jogar o resto. Se liga:



Parte 1





Parte 2





E para quem ainda não foi informado, os certificados para essa palestra já estão feitos. Para pegar é só ir na sala do DCE!

domingo, 17 de maio de 2009

Reunião com a Sub-reitoria de graduação

O Diretório Central dos Estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro informa a todos que a reunião com a Professora Lená (sub-reitora de graduação) proposta no último Conselho de C.A.’s está marcada para o dia 19 de Maio de 2009 (terça-feira) às 14:30 no Auditório 13.

Como também retirado no último Conselho de C.A.’s, serão convocadas para a reunião as Professoras Hilda e Tânia (para informações sobre o material didático dos alunos cotistas e acúmulo de bolsas) e representantes da DAF e do DEP para o problema a cerca dos valores de auxílio financeiro para assistência estudantil (diárias e viagens a congressos). Abaixo segue a pauta completa:

- Assistência estudantil (ônibus, diárias, etc.)
- Acúmulo de bolsas com fontes de pagamento diferentes
- Material dos/as estudantes cotistas
- Pagamento da bolsa permanência
- Assuntos gerais

Sérgio Cabral e o Muro




É, é polêmico, assim como a medida do nosso querido governador


Não entendeu? Leia aqui ou aqui.

sábado, 16 de maio de 2009

Palesta - Pirataria: a ideologia da propriedade intelectual


A repressão penal à violação da propriedade intelectual está na agenda das diversas agências de controle social. No Ministério da Justiça, foi criada uma estrutura especial para isso, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria. Não sem razão foi criada no Rio de Janeiro uma delegacia especializada neste tipo de delito, a DRCPIM (Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial).

Esta agenda criminal é fortemente influenciada pela iniciativa privada, haja vista os fóruns de debates criados para debater o tema. Em quase todos os debates a perspectiva é a da inquestionável defesa da propriedade intelectual, fora as propagandas que tentam convencer de que copiar uma música é como roubar um carro.

A perspectiva sedimentada aponta para uma visão de que o próprio trabalhador informal é o responsável pela sua não inserção no mercado formal de trabalho. E o lado perverso desse processo de criminalização amplia-se quando se sabe que o imaginário social é construído ideologicamente na noção de que existe uma relação entre o trabalhador ambulante e o tráfico de drogas.

Assim, o funcionamento do poder público está fortemente influenciado pela construção ideológica de que a violação à propriedade intelectual é um dos grandes problemas da sociedade brasileira. Porém, em verdade esta é uma demanda que interessa a uma meia dúzia de empresas que exploram este tipo de produtos.

Há que se debater sobre a constitucionalidade deste tipo penal, uma vez que a origem histórica dos direitos de propriedade intelectual não tem o sentido de proteger as obras dos autores, mas sim garantir o monopólio de reprodução das mesmas.

Dessa forma amplia-se a inserção do direito penal no mundo da vida, regulando fenômenos que deveriam apenas ser tutelados pela obrigação cível.

O professor Túlio Vianna tem tido destacado papel na defesa da inconstitucionalida de do artigo 184 do Código Penal, dando uma importante contribuição para uma outra visão sobre o tema:

“é um tipo penal vago, fundamentado em um bem jurídico indeterminado. É uma verdadeira afronta ao princípio constitucional da taxatividade, pois reúne sob o rótulo de “propriedade intelectual” uma gama de interesses tão diversos quanto: o direito de atribuição de autoria, o direito de assegurar a integridade da obra (ou de modificá-la), o direito de conservar a obra inédita, entre outros direitos morais, e os direitos de edição, reprodução (copyright) e outros patrimoniais (...) de um tipo penal complexo que tutela não um, mas inúmeros bens jurídicos de natureza moral e patrimonial, agrupados sob a ideologia da “propriedade intelectual” (Túlio Vianna – Parecer sobre a inconstitucionalida de do art. 184 do CP).


Organização:
Movimento Direito Para Quem
www.direitopraquem. blogspot. com
Diretório Central dos Estudantes da UERJ - Gestão Nada Será Como Antes
http://www.dce-uerj.blogspot. com/